DIÁRIO DO COMÉRCIO - ECONOMIA- 18-05-2006
 

No lugar de panelas, lingerie.
Sonaira San Pedro

Às vésperas do casamento, a noiva Flávia Gurgel nem quis saber de chá-de-cozinha ou qualquer reunião em que ganhasse panelas, canecas, pratos e escumadeiras. Preferiu baby dolls , corseletes, luvas, calcinhas, cintas-ligas e meias-calças. Para isso, reuniu cinqüenta amigas, uma banda de música brasileira e alguns sabores de pizza em um chá de lingerie que ela mesma promoveu no salão de festas do seu prédio.
"Fiz a lista dos modelos de roupas íntimas que gostaria de ganhar e a deixei em uma loja de lingeries", conta. "Minhas amigas me deram as peças de presente e prepararam boas surpresas para o encontro." A despedida de solteira, animada com pagode, foi na noite seguinte, em uma casa noturna.

"Já se foram os tempos em que a noiva se reunia em um clube de 'luluzinhas' para equipar a cozinha de casa, ou passava meses bordando o enxoval", diz Rosa Maciel, que dirige uma empresa especializada em matrimônios e o site www.guiadenoivos.com.br .

Tudo personalizado

Agora tudo é personalizado, adaptado ao estilo de vida de cada mulher. "Já preparamos até chá de livros, para as mais intelectualizadas ou um caderno de recordações com fotos e textos escritos pelas pessoas mais próximas", conta Rosa. "Independentemente de como a reunião for planejada, o importante é que a noiva tenha esse contato com as amigas antes de subir ao altar", acredita.

E com essa onda de as mulheres optarem pelo chá de lingerie, lojas especializadas em roupas íntimas já oferecem serviços específicos para esse tipo de cliente. "Nós orientamos a noiva na escolha dos itens, distribuímos a lista nas filiais e oferecemos os convites do evento", diz a gerente de Marketing da Jogê, Marilene Ramos.

A marca participa, em média, de 15 chás por mês. Um número que cresce a cada ano. "No final de 2006, deverão ser 25 eventos mensais", estima Marilene. As clientes da marca têm entre 25 e 32 anos, são de classe média, executivas ou profissionais liberais, e costumam fazer listas de 40 a 50 itens. "A calcinha branca de seda pura para a noite de núpcias é modelo quase obrigatório."

Bar e cozinha

No mês passado, os pombinhos Cíntia Lanzoni e André de Campos comemoraram suas despedidas de solteiros. Primeiro, as mulheres se juntaram para o tradicional chá-de-cozinha, acompanhadas de uma professora de strip-tease e danças sensuais. "Foi, no mínimo, divertido", conta Cíntia.

Mais tarde, André chegou com os amigos e todos – eles e elas – se reuniram em um chá-bar. "Enquanto minhas convidadas me presentearam com acessórios para a cozinha, os amigos dele trouxeram apetrechos para o bar", explica Cíntia. "Não tem mais essa de ficar separando homem e mulher." E um barman se encarregou de preparar os drinks da festa a noite toda.

"As listas para chás-de-cozinha e chá-bar aumentaram 50% nos últimos dois anos", diz a coordenadora de relacionamentos da Spicy, Ângela Teixeira. "Hoje, os casais fazem desse ritual um evento em que homens e mulheres comemoram juntos a passagem do solteirismo para a vida a dois."

Modernidade e tradição

Quem não tem tempo de ir à Spicy para elaborar a lista pode fazê-la pela internet, no site da Spicy. "O casal recebe uma senha para acompanhar online as compras e identificar quem os presenteou com determinado produto." Mas, mesmo com tanta modernidade nos rituais pré-casamento, de um costume as noivas não abrem mão na hora da marcha nupcial: o de sempre usar uma peça velha e outra nova, algo azul e outro emprestado na composição do vestido. "Essa eu aprendi com minha mãe", diz Cíntia.